Tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor hoje nos EUA: entenda o que muda para os exportadores
Por: Thaís Barcellos
Fonte: O Globo
A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos à parte dos produtos
brasileiros exportados para aquele país começa a valer nesta quarta-feira, uma
semana depois de serem confirmadas e anunciadas pelo governo de Donald
Trump, a despeito dos esforços diplomáticos do governo Lula.
De acordo com Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
(Mdic), a medida deve atingir 15% do volume exportado para os EUA em 2025,
ou US$ 5,8 bilhões, sendo que os setores mais impactados são madeira, móveis,
máquinas e equipamentos, calçados, produtos cerâmicos e açúcar.
O novo tarifaço foi adotado após uma investigação do Escritório do
Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), órgão
responsável pela política comercial do país, sobre supostas práticas “desleais” do
Brasil que prejudicam as empresas americanas. A administração de Donald Trump
citou, por exemplo, o Pix, o desmatamento, corrupção, entre outros argumentos
— todos rebatidos pelo governo brasileiro.
A medida exclui vários dos produtos que o Brasil mais exporta para os EUA, como
petróleo, carne bovina, aviões, celulose e café. Inclusive, a lista final de exceções
ficou maior do que a sugestão inicial do USTR, justamente pelos efeitos negativos
que a política protecionista pode ter sobre a economia americana.
Por outro lado, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva reconhece que até o fim
desta semana a Casa Branca deve aplicar mais uma taxação sobre as exportações
brasileiras, desta vez de 12,5%, devido a uma investigação contra 60 países sobre
falhas para barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado.
O ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, disse na semana passada que só não
estava claro se as duas tarifas, de 25% e 12,5%, serão somadas ou não.
Elias Rosa também destacou na semana passada que o apoio aos setores
afetados é prioridade de Lula neste momento. Nesta terça-feira, ele e o vicepresidente
Geraldo Alckmin começaram a receber os empresários para tratar de
medidas que possam mitigar o impacto do tarifaço nos negócios.
Foram ouvidas, por exemplo, as associações brasileiras da Indústria de Máquinas
e Equipamentos (Abimaq), das Indústrias de Calçados (Abicalçados), da Indústria
do Plástico (Abiplast), da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e da Indústria
Elétrica e Eletrônica.
A partir dessas conversas, o governo vai calibrar as medidas de apoio. A ideia é
que o pacote de socorro seja mais modesto do que as iniciativas anteriores e que
tenha algum tipo de limitação.
Na primeira versão do Brasil Soberano, em agosto de 2025, o governo bancou
uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para os exportadores atingidos, que, no
início deste ano, foi reforçada com mais R$ 15 bilhões. O primeiro pacote também
tinha medidas de alívio tributário para os afetados e a facilitação de compra dos
excedentes das empresas prejudicadas pela União, estados e municípios.
Além do pacote de socorro, o governo também quer aumentar os esforços para
ajudar os setores a diversificar mercados, além de continuar negociando com os
Estados Unidos por melhores condições na relação comercial. A maioria dos
empresários alertou as autoridades que seria negativo seguir pelo caminho da
retaliação e deveria ter pouco efeito, já que o tarifaço tem origem política.
O presidente executivo da Abimaq, José Velloso, afirmou que a principal saída,
com tarifa de 25% ou de 37,5%, é buscar novos compradores fora dos Estados
Unidos. Em reunião com Alckmin, a Abimaq apresentou propostas em duas
frentes.
A primeira busca baixar custos internos que encarecem o produto brasileiro, o
chamado Custo Brasil, com medidas como a redução de tributos que sobram na
cadeia de produção e dificultam a exportação, além de mais crédito, seguro e a
devolução de impostos pagos por quem produz para vender ao exterior (o
drawback).
A segunda frente pede ajustes no Brasil Soberano, programa de apoio às
empresas afetadas pelo tarifaço. O principal ponto, nesse caso, é facilitar a
entrada de empresas no programa de linhas de crédito facilitado.
Velloso citou como exemplo a regra que exige que a companhia comprove já ter
exportado aos Estados Unidos em determinado período.
— É um programa bom, que já mostrou resultado. Se a gente conseguir ampliar
a elegibilidade, vamos conseguir melhorar ainda mais o resultado — afirmou.